REDENÇÃO

Machine Gun Preacher. África do Sul/EUA. 2011. Direção de Marc Foster. 129 min Com Gerard Butler, Michelle Monaghan, Michael Shannon, Kathy Baker, Madeline Carroll, Soyleymane SySavane.

Perdendo-se em meio às compras e festas natalinas, depois as viagens e o verão, este é um projeto pessoal do ator escocês Gerard Butler (300), que assina também como coprodutor, mas que não encontrou seu público nos EUA (para o custo de US$ 30 milhões, não chegou nem a US$ 1 milhão de renda) talvez porque não o soubesse vender.

Ele deveria ser endereçado ao público cristão que, possivelmente, entenderia melhor sua proposta: contar a história da redenção de um personagem verdadeiro (que aparece nos letreiros finais), o motoqueiro de Detroit, Sam Childers.

Ele foi preso, viciado em drogas, se converte à religião cristã e, eventualmente, se torna mesmo pregador, constrói sua própria Igreja e  se interessa pelo destino das crianças do Sudão, vítima da fome e perseguição racial que tem matado milhares de pessoas naquela região.

A situação é muito complicada, mas basicamente, negros mulçumanos matam negros cristãos em nome da limpeza racial, cometendo crimes atrozes, em particular contra as crianças.

Esse é um tema que já vimos em alguns documentários americanos muito tocantes e um absurdo que tem sido denunciado por muitas estrelas de cinema (de George Clooney e Angelina Jolie), mas até onde me lembro é o primeiro filme de ficção não documental sobre o tema (ainda que inspirado em fatos reais).

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E que não é mero sermão ou denúncia, porque não pega fácil, não coloca como protagonista um sujeito adorável,  simpático e heroico. Porque o chamado “Pregador com uma Metralhadora” tem uma teoria que pode ser muito discutível e polêmica, além de lembrar muito os filmes de vigilantes e os faroestes americanos.

Em vez de assistir impassível aos massacres noturnos e gratuitos, ele, por vezes, ataca primeiro, atacando e matando a milícia de mercenários e garotos, antes que estes prossigam sua missão macabra. Isso lhe ganha o respeito até do governo, mas isso pouco adianta porque o líder que parecia mais sensato acabou morto num estranho acidente de helicóptero. E de pouco adianta porque o extermínio continua de alguma forma até hoje.

Sem dúvida, é apenas um dos muitos desatinos que continuam a acontecer neste planeta, mas nem por isso lhe tira a força da denúncia e a crítica à apatia geral. O herói fica desesperado em não conseguir recolher mais dinheiro para salvar mais crianças, já que mesmo com fúria e raiva não tem como convencer os americanos a contribuírem.

É interessante como é colocado o dilema moral diante da realidade grosseira, uma das cenas mais fortes é quando ele não consegue evacuar grande parte de um grupo de crianças pequenas que iriam ser exterminadas porque o veículo que viajava era pequeno e não conseguia conte-las. Quando o carro volta, elas foram brutalmente queimadas.

Rodado na África do Sul, o filme tem, além do evidente empenho do ator que vai crescendo durante o filme, a direção de um cineasta respeitado como Marc Forster (de A  Última Ceia com Halle Berry, Em Busca da Terra do Nunca, Caçador de Pipas e até do último James Bond Quantum of Solace).

Todos os envolvidos logicamente indignados com o desprezo da sociedade a outro desvario da humanidade. E o triste é constatar que o fracasso do filme nada mais é do que a prova viva dessa rejeição, de não saber e não querer saber.

De nos comportarmos como avestruzes que escondem, reza a lenda, a cabeça na terra para fingir que tudo está bem. Como se o Natal justamente não fosse o momento apropriado para espalhar essa mensagem de redenção e salvação de vidas humanas.

Via RUBENS EWALD FILHO.
@Casamulti
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